sábado, 20 de março de 2010

de casa nova

mudança de endereço. a vida por aqui foi muito boa, mas a poeira já começava a se acumular pela falta de reciclagem.

agora estamos em fabulosoxanadu.tumblr.com

adeus!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sobre os personagens reais da minha ficção

Hoje me lembrei muito de um menina com sardas dançando junto a uma cortina vermelha no ritmo do vento. A música no ar era sua risada e ela girava com os braços abertos entre os incontáveis metros de pano cor de pôr-do-sol, que voavam por todo os lados num tipo de tentativa de fuga pela janela. E ela não fazia aquilo para comemorar nada em especial. Dançava e gargalhava até cair no chão somente para que, no futuro, na minha lembrança, ela fosse a pessoa mais linda do mundo. Diante daquela cena, eu nao conseguia fazer mais nada além de admirar, com os olhos brilhando, à minha existência se tornando mais bela.

Tal cena me fez contorcer de saudade e o aperto no peito era tão grande que eu mal conseguia respirar cada vez que ouvia a risada da menina. A partir daí surgiram várias outras cenas com vários outros protagonistas, enquanto eu era a coadjuvante da minha vida.

Me lembrei de uma menina vestida de princesa. Ela comemorava seus quinze anos como se chegar até ali fosse mesmo o melhor dos presentes. E era. A intensidade com que ela levava a vida era tão grande que não combinava com seu vestido rosa claro; mas o que importava não era o vestido, era o seu sorriso, que existindo transformava em conto de fadas qualquer existênca ali presente. Mais alta do que todos os outros, ela recebia palmas. Ela merecia. Seus olhos mereciam, cada dente exposto naquele sorriso merecia. No meio daquela multidão em palmas e cantos, pela primeira vez, uma gargalhada me arrancou lágrimas de felicidade e naquele momento (e em muitos outros que viriam) ela era a personagem favorita da minha vida.

Logo depois me veio à mente um garoto, ele era pequeno e magro mas seus grandes olhos azuis eram mais do que suficientes pra tragar seu coração em apenas um olhar. Esse garoto sempre teve o dom de ler minha alma, e em uma dessas tentativas de me desencriptar, transformou para sempre minha vida em um clássico de François Truffaut. Era um corredor escuro, longe de qualquer barulho, cheiro ou reação humana. O garoto apareceu trazendo a quantidade de luz necessaria para que eu me mantesse acordada, mas não o suficiente para me ofuscar a visão; me olhou nos olhos como poucas pessoas têm coragem, abriu um sorriso completamente infantil e me perguntou o que eu estava lendo. Eu não poderia responder, a cena era dele. Apenas retribuí o olhar tentando dizer em silêncio 'por favor, permaneça'. Ele entendeu.

Entre tantas outras pessoas, sons, cheiros, caminhos e sensações, mais uma tarde ainda permanece na memória. Uma tarde dessas que parece ter acontecido em outra vida.

Me lembro que o clima estava ameno, situação incomum para quem vive entre os trópicos. A paisagem cinza misturava o bucólico com o urbano. E naquele dia em especial, o mundo decidiu sair dos meus planos. Me deixou ali, com uma companhia ímpar e mais nada, de uma maneira que quase me convencia que era possível passar o resto dos meus dias assim. Minha vontade de ser coadjuvante nunca foi tão grande. Eu só queria fechar os olhos e ouvir sobre a vida. Era como deixar um garoto diferente desenhar com palavras, como tudo seria dali pra frente. Era um garoto inédito, que me trazia a sensação de que se eu me encolhesse, caberia na palma de sua mão. Que me contava histórias e me apresentava mundos e que muitas vezes esperava uma reação, se esquecendo que reações são tarefas para protagonistas. Entre abraços que definiam o futuro, aceitei o papel.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sobre antes...

Ela se virou e colocou o livro sobre a mesa. Ainda de costas comentou que gostou de lê-lo. Tornou a olhá-lo nos olhos, colocou um sorriso (in)conformado entre as lágrimas e disse 'eu te amo' pela primeira vez. Não sabia o que ouviria na sequência, então, por precaução, tratou de dar-lhe um beijo na testa e de passar logo por aquela porta.



*Texto escrito há muito tempo, achei no meio da papelada. Já não tem mais nada a ver com o contexto da vida, é só porque isso aqui está muito abandonado.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Santa Chuva

Esse tempo de chuvas sempre me traz lembranças de outros anos. Dessas lembranças que você não sabe se fazem bem por causa do seu cheiro ou se causam dor por serem só saudade.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Para Lucas Plex

O Lucas Plex é o menino que volta de ônibus comigo da faculdade, quer dizer, que voltava, porque agora o Lucas Plex arrumou um emprego novo e vai ter que mudar de turno na faculdade, e eu vou ter que voltar sozinha.
Voltar sozinha não é bom. Eu não posso falar mal de ninguém da sala, não posso reclamar de nada (porque o Lucas Plex escutava todas as minha reclamações, e eu reclamo MUITO).
Inclusive, este post é uma reclamação. Uma reclamação por todas as pessoas que arrumam novos empregos, estudos, casas, namorados(as), filhos(as) ou seja lá o que for e nos deixam sozinhos no ônibus.
Te odeio porque vc me abandonou Lucas Plex! Mas enfim, boa sorte na nova vida. Eu vou ficar com saudade, mas não conte isso pra ninguém, porque eu sou durona.

domingo, 15 de novembro de 2009

Changing

"why not try it all?
if you'll only remember it once."

Se você não está feliz, mude.

Mude a cor do seu cabelo, e as suas roupas favoritas, mude seu xampu e seu sabonete, mude o lado pelo qual você sai da cama quando acorda e o ônibus que você pega pra ir trabalhar. Mude a marca do seu café e o seus programas de TV, mude a ordem em que faz as coisas antes de dormir e as pessoas com quem você sai no final de semana. Mude de namorado, de marido, de amante, de amor, de sexo, de posição. Mude o corte do seu cabelo, o tamanho das suas unhas, o seu esmalte, a sua maquiagem e o seu peso. Mude sua hora de dormir e as pessoas com quem conversa. Mude de mesa no escritório, escute outras músicas e frequente outros lugares. Experimente novas comidas e supreenda-se com novas bebidas. Mude o cigarro que você fuma, ou, por que não, parar de fumar? Mude de casa, de bairro, troque o seu carro, faça caminhos diferentes todos os dias para chegar ao mesmo lugar. Troque a operadora do seu celular e a pasta de dentes que você usa. Sinta novos gostos, novos cheiros, viva o inédito. Mude a cor do seu blógue e o seu humor pela manhã. Experimente, quebre a cara, tente outra vez. Faça uma tatuagem, quebre um cartão de crédito, leia outra revista e mude a assinatura do seu jornal, adote um cão e depois um gato, ou talvez, um cão e um gato.

E, algum momento, tem que dar certo.

Diálogo número um


-Qual é o seu sonho?

-São sonhos. Conhecer o mundo, saber de tudo, me casar, etc. E o seu?

-Raspar a cabeça.

-Quer casar comigo?

-Não. Quer raspar minha cabeça?

-Não.

-A gente dá um jeito nisso.

-A gente dá um jeito nisso.

domingo, 1 de novembro de 2009

Devaneios

Na dúvida entre mergulhar na vida ou me esconder embaixo da cama, acabo não fazendo nem um nem outro. Eu não quero arrumar o quarto e nem deixar curar esses machucados. Me sinto bem com a bagunça do lado de fora, ela me faz pensar que algo além de mim também está em desordem. Não sei como é que vim parar aqui. Há tempos grito pelo seu socorro mas você não pode me ouvir. É como se eu estivesse em uma sala de vidro, gritando e te chamando em desespero, mas você não vê. Você está ali, bem na minha frente, mas não me vê gritar porque está olhando para o lado, distraído, vendo a menina ruiva ir embora. O vidro é forte demais e eu não consigo quebrá-lo para poder te abraçar. Por mais que eu bata não adianta, você não ouve som algum, e se encanta com tudo quanto possa existir do lado de fora. Eu poderia domir agora, eu deveria, meu corpo me diz que eu preciso dar descanço ao meu choro. Mas numa teimosia infantil eu não prego os olhos e fico aqui esperando alguma coisa acontecer. A porta se abrir, o telefone tocar, uma luz se apagar, o tempo passar e você não aparecer. Você e seu maravilhoso pênis. Sexo, sujeira, suor, saliva. Eu quero mais. Mais sexo? Sexo sexo sexo. Eu quero mais! Mais sexo? Não, mais do que isso. Mais do quê? Nada. Só mais sexo. Seu rosto está em todo lugar, seu nome está em todo final. Por que é que você me deixa te amar? Me manda logo embora. Não acredito que te supro tão bem as necessidades físicas mesmo. Às vezes acho que você gosta é de outra coisa. Me desculpe, desculpe por ter falado isso, eu sei que não é verdade. Eu quero acreditar que não é verdade, e que mesmo o meu falar desenfreado, porém carinhoso, lhe faz falta quando não está. Como você diz. Mas e se eu for embora? Porque digo, eu estou indo. Não, quer dizer, não agora, mas algum dia hei de ir. E você vai continuar aí dormindo enquanto bolo declarações de amor? Não sou muito acostumada ao amor e confesso que declará-lo sempre me causa certa estranheza, mas tem se tornado cada vez mais inevitável dizer. Eu te amo. Eu pedindo tão pouco e oferecendo tanto. Acho que é natural para quem nunca teve nada. Um dia, dois, três... eles se passam deitados nessa cama e eu já não sei mais se é frio ou calor, se é noite ou dia. As costas doem por causa desse travesseiro de penas de ganso que nunca foi nada do que eu sempre esperei de um travesseiro de penas de ganso. Esses comprimidos que não quero que acabem me tiram o sono e me fazem ranger os dentes. Não me lembro se já tomei todas as doses de hoje, talvez eles também me afetem a memória, mas não quero que acabem. Por via das dúvidas, vou tomar mais uma dose. Eu não ligo mais pro sono, deixa ele não vir. Assim eu tenho mais tempo pra não realizar tudo o que preciso. Começou a trovejar e relampejar lá fora. É o tempo se adequando ao meu sentimento. Queria que você entendesse que seu coração pode bater mesmo tendo sido arrancado do seu peito, não sei mais como te mostrar isso. Acho que vou me esconder embaixo da cama.

domingo, 18 de outubro de 2009

Domingo


"One night you’re begging me to stay
The next night you push me away
I don’t need you’re promising to give it up
Is too late cause now I’m giving up"

aprendi a não acreditar mais nas suas promessas bêbadas.
aprendendo a me curar de você.

meu quarto está bagunçado. meu cabelo, minha cabeça, meu corpo, minha vida.
e eu não preciso de você tornando tudo um pouco pior.

o problema não é você significar algo, é você fazer todas as outras pessoas perderem o significado.

sábado, 26 de setembro de 2009

Mas não me cure do você

"Não é por que eu sei que ele não virá
que eu não veja a porta já se abrindo
E que eu não queira tê-lo,
mesmo que não tenha a mínima lógica esse raciocínio"


Acordo, durmo, olha pra cidade pela janela, fumo um cigarro olhando pro teto, não tiro o pijama, me reviro jogada entre travesseiros e cobertores, coloco uma música triste, choro um bocado, entro na internet, passo por inúmeros sites sem perceber direito o que estou fazendo, me olho no espelho, não arrumo o cabelo, ando de um lado para o outro, caio na cama de novo, ligo a tv pra me fazer companhia. Penso em você. O tempo todo.

E assim mais um sábado vai embora nesse quarto abafado. Todas as coisas que preciso fazer vão ficar pra amanhã. Hoje o medo do futuro me consome por completo e me impede de realizar qualquer coisa.

Você está a um clique e eu não tenho coragem. "Oi!", "Em casa no sábado a noite?". Não adianta, não tenho coragem. Pode ser que você responda que está com sua namorada, pode ser que diga que sofre as tristezas porque ela se foi, pode ser que nem responda. Não tenho coragem. Definitivamente.

Não tenho coragem de te dizer "oi" quando na verdade queria dizer "eu te amo".

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Projeto Oásis 2009

O projeto Oásis é uma iniciativa do grupo ânima, dono da faculdade onde estudo, que consiste em realização de trabalhos voluntários em comunidades carentes, realizados por universitários e professores. Este ano aconteceu pela 1ª Belo Horizonte, nos dias 28 e 29 de agosto, no morro do papagaio.

Foi um final de semana de muito trabalho (braçal), calor, sol (que eu amo, né!?), cansaço e dor. Mas depois de tudo, o que eu, a pessoa premiada com a maior preguiça e com um dos maiores egoísmos sentimentais do mundo, tenho a dizer é: TROQUE UM FINAL DE SEMANA DE BALADA POR UM DE TRABALHO VOLUNTÁRIO!

domingo, 20 de setembro de 2009

a sexta a noite trouxe a felicidade de ver que os amigos mais antigos sabem que ainda podem me chamar apenas de 'bela'.

domingo, 23 de agosto de 2009

Comptine d'Un Autre Été

Eu não queira que você estivesse aqui, e nem queria estar aí também.

Eu queria que estivessemos em outro lugar, em outro ano, outra década talvez, com outros nomes, em outra cidade, em outra estação.

Queria ser Louise, e que você fosse Pierre. Queria que fosse verão em Londres ou em Paris e que estivéssemos num pequeno apartamento cor de luz de abajour, onde as portas e janelas fossem de madeira e vidro antigos e as cortinas não seguissem um padrão. Onde não houvesse lustres, mas o aquecedor funcionasse bem. Queria uma antiga banheira branca com os pés dourados, e inúmeros e confortáveis travesseiros de pena de ganso espalhados pela cama.
Queria estar de pé olhando a madrugada passar pela janela, vestida com uma de suas blusas e segurando uma caneca de uma bebida quente qualquer. Queria que você acordasse e passasse um longo tempo me observando e tentando compreender como um dia não quis que eu fosse sua. Até que você quebraria o silêncio com um "temos chá?". E como se já soubesse que você estava ali deitado a me observar, me viraria num sorriso e colocaria de volta no lugar, uma mecha de cabelo caída no rosto. Andaria até a cozinha e pisaria descalça no azuleijo antigo recitando em voz alta "Soneto de fidelidade", de Vinícius de Moraes. Faria um chá de canela e chocolate. E enquanto a água esquentava e eu colocava sobre a pia de pedra, duas velhas xícaras de porcelana, me supreenderia com você me abrançando por trás e dizendo no meu ouvido "mas que seja eterno enquanto dure". Uma música noir qualquer começaria a tocar e eu me viraria para te beijar pensando no quanto você sempre odiou poesia.

A trilha sonora da história: Comptine d'Un Autre Été.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Isabella Rossellini


"Porque ela se parece com a Isabella Rossellini.
E eu? Eu pareço apenas eu..."


Ela é tão perfeita que eu nem sei por onde começar.
Ela é inteligente e linda.
Ela fala vários idiomas e faz um curso bacana, ela anda por aí com seu carro legal, com as roupas de seu namorado e com o cabelo que ela mesma corta.
Ela tem fotos em preto e branco e parece mais velha quando necessário.
Se expressa como ninguém em pouquíssimas palavras.
É segura o bastante pra não se sentir obrigada a rir de piadas sem graça.
Faz uma cara de seriedade muito melhor do que a minha e não acha que precisa pintar as unhas toda semana.
Ela não liga pro corpo, e mesmo assim ele não tem nenhum defeito.
Conhece os cantores e os autores e fica perfeita mesmo quando veste as roupas que parecem ter saído do armário de sua vó.
Sua maquiagem não sai depois uma noite inteira dançando. Talvez ela nem use maquiagem.
Ela sabe ser simpática o suficiente para que você a adore, mas não o bastante para que se torne seu amigo.
Ela não morre de amores por ninguém, mas há sempre alguém morrendo de amores por ela.
Ela desperta uma vontade súbita de lançar um elogio, seja pela sua bolsa, seja pelo seu perfume, seja pela sua voz.
Ela não está nem aí.

E ninguém neste mundo, pelo simples fato de existir, me incomoda tanto.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Senta aqui do meu lado... e toma um café comigo.


"Não gostaria de entrar e tomar uma xícara de café?
Se não for muito incômodo!?
Ai... Claro que não... entre!
Depois da senhora!"


Qual é verdadeiramente o propósito de um convite para um café?

domingo, 28 de junho de 2009

Retrato pra Iaiá e Sentimental

"Iaiá, se eu peco é na vontadede ter um amor de verdade.
Pois é que assim, em ti, eu me atirei
e fui te encontrar
pra ver que eu me enganei.

Depois de ter vivido o óbvio utópico:
te beijare de ter brincado sobre a sinceridade
e dizer quase tudo quanto fosse natural
Eu fui praí te ver, te dizer:
Deixa ser.
Como será quando a gente se encontrar ?
No pé, o céu de um parque a nos testemunhar.

Deixa ser como será!
Eu vou sem me preocupar.
E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar.

De perto eu não quis ver
que toda a anunciação era vã.
Fui saber tão longe
mesmo você viu antes de mim
que eu te olhando via uma outra mulher.
E agora o que sobrou:
Um filme no close pro fim.

Num retrato-falado eu fichado
exposto em diagnóstico.
Especialistas analisam e sentenciam:
Oh, não!

Deixa ser como será.
Tudo posto em seu lugar.
Então tentar prever serviu pra eu me enganar.

Deixa ser.
Como será.
Eu já posto em meu lugar
Num continente ao revés,
em preto e branco, em hotéis.
Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê."


"O quanto eu te falei que isso vai mudar
Motivo eu nunca dei
Você me avisar, me ensinar, falar do que foi pra você,
Não vai me livrar de viver

Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse e nem assim se pôde evitar.

De tanto eu te falar você subverteu o que era um sentimento e assim
Fez dele razão
Pra se perder no abismo que é pensar e sentir

Ela é mais sentimental que eu!
Então fica bem
Se eu sofro um pouco mais.

"Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e tever buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente.
Se ela te fosse direta, você a rejeitaria."

Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.
Eu sei, não é assim, mas deixa
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir."


Los Hermanos sempre me expressando melhor do que eu mesma.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

o diário de bridget jones

"um belo dia a gente acorda e hum... um filme passou por a gente, e parece que já se anunciou o episódio 2."

às vezes quando você faz de tudo para que o seu filme seja um clássico do cinema, no final das contas ele se parece mais com uma comédia romântica barata. e aí vc percebe que não adiantou ensaiar e planejar tudo. durante todo o tempo havia uma sub-história acontecendo, ela estava ali, fazendo parte de tudo, você até sabia e não se importava, até que essa história ganha o primeiro plano.

e então, de um dia para o outro, sem que você perceba ou autorize, se tornou a protagonista de "o diário de bridget jones", e começa a entender que os clichês das comédias românticas são um pouco mais dramáticos quando acontecem na vida real. e nela, algumas coisas não têm mais jeito depois que você deixa passar. não vai adiantar atravessar a cidade de taxi numa madrugada chuvosa e bater na porta da pessoa pra se declarar, não vai adiantar sair correndo pro aeroporto com flores nas mãos pra dizer "eu te amo", não vai fazer o mínimo sentido convidar pra um café. porque a vida real, ao contrário das comédias românticas, não nos promete um final feliz.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Seguindo Estrelas

"Sigo palavras e busco estrelas
O que é que o mundo fez
Pra você rir assim?
Pra não tocá-lo, melhor nem vê-lo
Como é que você pôde se perder de mim?

Faz tanto frio, faz tanto tempo
Que no meu mundo algo se perdeu
Te mando beijos
Em outdoors pela avenida
E você sempre tão distraído
Passa e não vê

Fico acordada noites inteiras
Os dias parecem não ter mais fim
E a esfinge da espera
Olhos de pedra sem pena de mim

Faz tanto frio, faz tanto tempo
Que no meu mundo algo se perdeu
Te mando beijos
Em outdoors pela avenida
Você sempre tão distraído
Passa e não vê

Eu não consigo não pensar em você..."


Sem mais...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

The Quiz




"Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada"


Dia dos namorados do ano de 2009, trabalhei o dia inteiro quase sem parar e praticamente não me lembrei da data. Devo confessar que depois de 4 anos passando o 12 de junho acompanhada, esperava que a publicidade, no primeiro ano sozinha desde as minhas primeiras experiências amorosas, conseguisse me deixar pior. Não conseguiu, na verdade, nem deixou. Confesso que havia esquecido o quanto era bom não ter que gastar rios de dinheiro logo depois que você acabou de pagar a última prestação do presente de natal que comprou pro infeliz que te deixa insegura em todas as datas do ano.

E sobre esse coisa de estar acompanhado ou não, eu estava lendo um texto, um muito bom texto no blógue do gabriel, que fala sobre as nossas exigências para selecionar um acompanhante. A verdade é que, por mais que você decida que depois de 4 anos passando por namoros com pessoas no mínimo "esquizofrênicas", você vai ficar sozinha(o), não adianta, está todo mundo em todo lugar, durante todo o tempo, aberto para o próximo alguém que vai ser capaz de te deixar sem dormir por causa de uma mensagem de texto.

O problema é que atualmente não basta o currículo desse alguém ser perfeito; para ganhar a vaga de "amor" ele também tem que ser idêntico ao seu.

Não pode escutar pagode, nem funk, nem axé, nem sertanejo, nem hip hop e nem trance e jota quest também não;

não pode pedir suco de morango em vez de cerveja; e ah! tem que gostar de cerveja;

tem que ter uma tatuagem, e um piercing também cai bem;

tem que usar xadrez, listras, all star e nikes vintages; e um wayfarer também é uma ótima idéia;

tem gostar de cinema e saber quem são Ingmar Bergman, Akira Kurosawa, Humpfrey Bogart, Audrey Hepburn, Tim Burton e Helena Boham Carter;

deve ler pelo menos dois livros por mês e conhecer pelo menos dois autores importantes de cada continente (isso sendo muito bondosa);

deve saber quem foi Edith Piaf e quem é Bjork;

também tem que ter algum conhecimento sobre beatles, mutantes, chico buarque, janis joplin, jimi hendrix, jim morrison, bob dylan, los hermanos, cartola e alguma coisa que toque nas boates da cena alternativa da cidade;

não pode frequentar lugares pop; os shoppings mais caros, as boates mais badaladas e os restaurantes mais cheios de gente normal estão fora de cogitação;

acordar cedo no final de semana também é proibido, e acordar tarde durante a semana, mais ainda, afinal, tem que ter um emprego;

não pode guardar fotos das ex-namoradas e nem ter contato com elas;

não pode ter dormido com ninguém com quem eu conviva;

não pode gostar muito de ficção-científica, os dramas devem ser os preferidos;

os clássicos do cinema já devem ter sido assistidos. O Poderoso Chefão, Pulp Fiction, Laranja Mecânica, Os Sonhadores e Os Educadores devem estar na lista;

não pode ter a voz fina e nem mandar muitas mensagens por dia,
mas deve mandar mensagens, e lembrar de não abreviar as palavras escritas nelas;

não pode escrever errado, NEM UMA PALAVRA;

também não deve ter mais de duzentas comunidades no orkut, e nenhuma que seja um lugar comum, tipo "eu amo minha mãe" ou "eu adoro sorvete de chocolate" e nem "eu amo o sorvete de chocolate que minha mãe faz";

se tiver mais de 18 anos de idade, já deve ter abandonado o RPG;

deve ter mais de 21 anos de idade;

tem que falar abertamente sobre a infância e o relacionamento com os pais, caso contrário, será considerado um psicopata em potencial;

sobre o futebol, pode até gostar, mas de preferência que seja pouco, bem pouco;

tem que saber render uma conversa seja ela sobre filosofia, literatura, cinema, história, psicologia ou jornalismo;

caso não use drogas, deve estar aberto à experiências e fechado aos preconceitos;

tem que ter disposição pra ficar na rua até as 6 da manhã nos finais de semana;

não pode ter nenhum tipo de machismo, deve entender que não há mais necessidade em abrir a porta do carro e que não há problema algum em falar palavrões;

tem que ter responsabilidade suficiente para trocar os pneus do próprio carro quando necessário;

um curso superior completo ou em andamento é indispensável;

deve gostar dos meus amigos por mais idiotas e ogros que ele sejam;

tem que ter amigos legais que também combinem comigo;

não pode se achar demais e nem ficar falando que tem um bom papo, que conhece tudo nessa vida, que é bom de cama;

deve ser bom de cama;

tem que ligar no dia seguinte, responder as mensagens e os scraps e conversar no msn mesmo quando estiver no "ocupado";

não pode ter mais que 10 linhas escritas no about me do orkut;

deve conhecer alguma coisa, banda, livro, pessoa, música, autor, diretor, que eu não conheça. de preferência, um de cada.

Simples não?
Se não for assim, você pode até tentar, mas provavelmente vai terminar com a pessoa por e-mail depois de uns cinco meses de relacionamento.

terça-feira, 9 de junho de 2009

crônicas sobre a mera existência

qualquer um que já me viu andando pela rua sabe que para realizar uma abordagem à minha pessoa é preciso ter um bocado de coragem. impaciente com seres humanos como sou, não ando no meio deles com um semblante lá muito agradável, e não há como evitar, é algo completamente automático e instintivo.

eis que um dia desses estava eu no caminho para o trabalho, às 10 para 8 da manhã, num frio de arrepiar até os cabelos do cu, quando uma indigente me abordou. o primeiro pensamento que veio à cabeça foi: "só mesmo uma pessoa completamente desprovida de sanidade mental para vir falar comigo essa hora da madrugada, enquanto eu praticamente escalo esse penhasco (que as pessoas têm mania de chamar de "morro") para ir até o trabalho.

ok. pelo menos ela não está colocando um caco de vidro no meu pescoço e gritando "dá dez real dona! passa dez real!" como é de costume.

-quem é esse cara?
Tudo o que consegui pensar na hora foi: "WTF??????????????????"
pelo jeito, minha minha cara expressou exatamente o que pensei, porque ela apontou pra parede e disse:
-esse, que sumiu, quem será esse cara?

no muro ao nosso lado tinha um um anúncio minúsculo, menor que uma folha de papel A4, desses que só mesmo uma indigente que anda viajando nos muros da rua iria prestar atenção, dizendo que um anderson não sei de quê estava desaparecido.

já ia começar a falar: "eu tenho cara de quem conhece esse sujeito? a minha cara é parecida com a desse sujeito? eu tenho cara de quem se importa com quem diabos é ou onde diabos está esta porra desse sujeito????????"
porém o que aconteceu é que antes de começar a virar do avesso na frente da pobre, pensei que ela poderia não saber ler. me compadeci e li: "anderson não sei de quê, telefone tal, sumiu tal dia."

pra quê meu deus????? pra quê????? de repente a indigente virou minha melhor amiga de infância e desandou a falar, falava igual pobre na chuva, ou no caso, pobre no frio.

continuei andando, levando em conta que o mundo continuava rodando e independentemente de uma louca ter me abordado na rua, alguém ia me encher o saco se chegasse atrasada.
andando, e ouvindo. ouvindo ela falar que tomara que achem o anderson (porque depois que eu li o papel, o anderson também virou melhor amigo dela. sorte dele que estava desaparecido!), ouvindo ela falar que alguém tinha que chamar a record para anunciarem o desparecimento do anderson, que as pessoas somem, que os rádios anunciam o desaparecimento delas e que ela não fazia idéia de para onde iam as pessoas desaparecidas. a verdade é que ela não devia fazer idéia nem de qual era seu nome.

alguns quarteirões depois eu chego linda na porta do trabalho com minha amiga indigente do meu lado.
-vou trabalhar agora.
-eu vou com você. eu gosto de trabalhar.
(ah é, deve amar mesmo, por isso que tá aí, tão rica!)
-você não pode ir, nesse prédio só entram pessoas autorizadas, para trabalhar aí dentro é preciso uma autorização que você não possui.

eu estava mesmo abasbacada com minha própria paciência, só não tinha mandado pra puta que pariu ainda porque tava cheio de gente lá na porta, e bem, as pessoas de lá já acham os redatores estranhos o suficiente.
olhei pra cara dos seguranças com uma expressão de: "dá um tiro na testa dessa mulher pelamordedeus!!!" mas eles só entenderam: "mandem delicadamente essa mulher ir embora daqui, por favor!" e foi o que eles fizeram, aos poucos conseguiram fazê-la desistir da idéia de ser redatora por um dia.

6 horas de trabalho depois...

estou eu feliz da vida indo embora pra casa, desço as escadas colocando o fone de ouvido, chego na porta do prédio...
...tenho uma síncope e morro porque a mendiga estava lá me esperando. pronto. fim da história!

mentira! não, quer dizer, verdade. mentira que eu morri, verdade que lá estava a senhora indigente me esperando depois de inteiras e longas 6 horas.

-meu jesus! exclamei com os olhos arregalados tirando os fones do ouvido.

imediatamente os seguranças se mijaram de tanto rir.

-a gente passou o tempo todo impedindo ela de entrar. agora o problema é seu.

pensei em sair correndo feito louca, em simular um desmaio (sempre penso nessa), em ligar pra polícia, em voltar e ficar trabalhando o resto do dia e em suicídio. tudo o que consegui foi continuar andando, mas dessa vez de cabeça baixa, fingindo que procurava alguma coisa na bolsa. como se essas táticas fossem mesmo funcionar com uma pessoa completamente desprovida de sanidade mental.

ela se levantou do passeio e veio em minha direção. tudo bem, eu já sabia. e começou a falar de novo. tudo bem, eu também já sabia. resolvi não ligar e coloquei os fones no último volume. até o momento em que ela encostou em mim.

o que?????????????? o que?????????????
aaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
uuuuuuaaaaaaaaaaaaahhhhhh!!!!!!!!!
WHAT THE FUCK?!?!?!?!?!!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!
MAS QUE DIABOS!!! COMO ASSIM CAPETA??? COMO ASSIM??? EU NÃO GOSTO NEM QUE MINHAS ROUPAS ENCOSTEM EM MIM. SAI DE PERTO DE MIM DIABOOOOO!!!!!!
UUUUUUUUUUUUAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH!!!!!!!

se você já assitiu o quadro "amy whinehouse" do pânico sabe como foi a metade da reação que pensei em ter. mas tudo o que consegui foi sentir meu rosto ficar vermelho, minha garganta dar um nó e começar a me sufocar, meu olho arregalar e minha voz dizer:

-olha, eu tenho uma doença de pele muito séria. todo mundo que encosta em mim duas vezes morre.

ok. acho que foi suficiente. ela parou de encostar, mas continuou falando. falando falando e falando... até que chegamos no ponto de ônibus e é claro, ele levou meia hora pra passar. tudo bem, eu já sabia.

de repente, surgiu no ar uma música dessas de trilha sonora de filme que ilustra um milagre, tudo se tornou mais iluminado e lá estava o 1207B.

-agora vou pra minha casa.
-eu vou com você.

ai meu deus do céu, já estava ficando com preguiça de ficar com raiva, vou acabar levando ela pra casa pra matar com uma pá e enterrar no quintal.

e agora, o que eu vou falar com meu pai?
"olha que gracinha o que eu achei na rua pai! a gente pode ficar com ela? por favor pai!"

subi no ônibus e rapidamente falei com o motorista que tinha uma doida me seguindo, que ele não a deixasse entrar. com toda a falta de educação do mundo ele a expulsou do veículo e fechou a porta. ela ainda gritou: "amanhã a gente se vê!"
o ônibus lotado e uma mendiga gritando "amanhã a gente se vê!"
espero que eles tenham pensado que faço trabalho social.

o pior de tudo é horas depois fui pensar que se ela sabia que o assunto do cartaz tratava de um desparecido, então ela sabia ler, ou seja, eu poderia simplesmente ter passado direto.