domingo, 15 de novembro de 2009

Changing

"why not try it all?
if you'll only remember it once."

Se você não está feliz, mude.

Mude a cor do seu cabelo, e as suas roupas favoritas, mude seu xampu e seu sabonete, mude o lado pelo qual você sai da cama quando acorda e o ônibus que você pega pra ir trabalhar. Mude a marca do seu café e o seus programas de TV, mude a ordem em que faz as coisas antes de dormir e as pessoas com quem você sai no final de semana. Mude de namorado, de marido, de amante, de amor, de sexo, de posição. Mude o corte do seu cabelo, o tamanho das suas unhas, o seu esmalte, a sua maquiagem e o seu peso. Mude sua hora de dormir e as pessoas com quem conversa. Mude de mesa no escritório, escute outras músicas e frequente outros lugares. Experimente novas comidas e supreenda-se com novas bebidas. Mude o cigarro que você fuma, ou, por que não, parar de fumar? Mude de casa, de bairro, troque o seu carro, faça caminhos diferentes todos os dias para chegar ao mesmo lugar. Troque a operadora do seu celular e a pasta de dentes que você usa. Sinta novos gostos, novos cheiros, viva o inédito. Mude a cor do seu blógue e o seu humor pela manhã. Experimente, quebre a cara, tente outra vez. Faça uma tatuagem, quebre um cartão de crédito, leia outra revista e mude a assinatura do seu jornal, adote um cão e depois um gato, ou talvez, um cão e um gato.

E, algum momento, tem que dar certo.

Diálogo número um


-Qual é o seu sonho?

-São sonhos. Conhecer o mundo, saber de tudo, me casar, etc. E o seu?

-Raspar a cabeça.

-Quer casar comigo?

-Não. Quer raspar minha cabeça?

-Não.

-A gente dá um jeito nisso.

-A gente dá um jeito nisso.

domingo, 1 de novembro de 2009

Devaneios

Na dúvida entre mergulhar na vida ou me esconder embaixo da cama, acabo não fazendo nem um nem outro. Eu não quero arrumar o quarto e nem deixar curar esses machucados. Me sinto bem com a bagunça do lado de fora, ela me faz pensar que algo além de mim também está em desordem. Não sei como é que vim parar aqui. Há tempos grito pelo seu socorro mas você não pode me ouvir. É como se eu estivesse em uma sala de vidro, gritando e te chamando em desespero, mas você não vê. Você está ali, bem na minha frente, mas não me vê gritar porque está olhando para o lado, distraído, vendo a menina ruiva ir embora. O vidro é forte demais e eu não consigo quebrá-lo para poder te abraçar. Por mais que eu bata não adianta, você não ouve som algum, e se encanta com tudo quanto possa existir do lado de fora. Eu poderia domir agora, eu deveria, meu corpo me diz que eu preciso dar descanço ao meu choro. Mas numa teimosia infantil eu não prego os olhos e fico aqui esperando alguma coisa acontecer. A porta se abrir, o telefone tocar, uma luz se apagar, o tempo passar e você não aparecer. Você e seu maravilhoso pênis. Sexo, sujeira, suor, saliva. Eu quero mais. Mais sexo? Sexo sexo sexo. Eu quero mais! Mais sexo? Não, mais do que isso. Mais do quê? Nada. Só mais sexo. Seu rosto está em todo lugar, seu nome está em todo final. Por que é que você me deixa te amar? Me manda logo embora. Não acredito que te supro tão bem as necessidades físicas mesmo. Às vezes acho que você gosta é de outra coisa. Me desculpe, desculpe por ter falado isso, eu sei que não é verdade. Eu quero acreditar que não é verdade, e que mesmo o meu falar desenfreado, porém carinhoso, lhe faz falta quando não está. Como você diz. Mas e se eu for embora? Porque digo, eu estou indo. Não, quer dizer, não agora, mas algum dia hei de ir. E você vai continuar aí dormindo enquanto bolo declarações de amor? Não sou muito acostumada ao amor e confesso que declará-lo sempre me causa certa estranheza, mas tem se tornado cada vez mais inevitável dizer. Eu te amo. Eu pedindo tão pouco e oferecendo tanto. Acho que é natural para quem nunca teve nada. Um dia, dois, três... eles se passam deitados nessa cama e eu já não sei mais se é frio ou calor, se é noite ou dia. As costas doem por causa desse travesseiro de penas de ganso que nunca foi nada do que eu sempre esperei de um travesseiro de penas de ganso. Esses comprimidos que não quero que acabem me tiram o sono e me fazem ranger os dentes. Não me lembro se já tomei todas as doses de hoje, talvez eles também me afetem a memória, mas não quero que acabem. Por via das dúvidas, vou tomar mais uma dose. Eu não ligo mais pro sono, deixa ele não vir. Assim eu tenho mais tempo pra não realizar tudo o que preciso. Começou a trovejar e relampejar lá fora. É o tempo se adequando ao meu sentimento. Queria que você entendesse que seu coração pode bater mesmo tendo sido arrancado do seu peito, não sei mais como te mostrar isso. Acho que vou me esconder embaixo da cama.

domingo, 18 de outubro de 2009

Domingo


"One night you’re begging me to stay
The next night you push me away
I don’t need you’re promising to give it up
Is too late cause now I’m giving up"

aprendi a não acreditar mais nas suas promessas bêbadas.
aprendendo a me curar de você.

meu quarto está bagunçado. meu cabelo, minha cabeça, meu corpo, minha vida.
e eu não preciso de você tornando tudo um pouco pior.

o problema não é você significar algo, é você fazer todas as outras pessoas perderem o significado.

sábado, 26 de setembro de 2009

Mas não me cure do você

"Não é por que eu sei que ele não virá
que eu não veja a porta já se abrindo
E que eu não queira tê-lo,
mesmo que não tenha a mínima lógica esse raciocínio"


Acordo, durmo, olha pra cidade pela janela, fumo um cigarro olhando pro teto, não tiro o pijama, me reviro jogada entre travesseiros e cobertores, coloco uma música triste, choro um bocado, entro na internet, passo por inúmeros sites sem perceber direito o que estou fazendo, me olho no espelho, não arrumo o cabelo, ando de um lado para o outro, caio na cama de novo, ligo a tv pra me fazer companhia. Penso em você. O tempo todo.

E assim mais um sábado vai embora nesse quarto abafado. Todas as coisas que preciso fazer vão ficar pra amanhã. Hoje o medo do futuro me consome por completo e me impede de realizar qualquer coisa.

Você está a um clique e eu não tenho coragem. "Oi!", "Em casa no sábado a noite?". Não adianta, não tenho coragem. Pode ser que você responda que está com sua namorada, pode ser que diga que sofre as tristezas porque ela se foi, pode ser que nem responda. Não tenho coragem. Definitivamente.

Não tenho coragem de te dizer "oi" quando na verdade queria dizer "eu te amo".

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Projeto Oásis 2009

O projeto Oásis é uma iniciativa do grupo ânima, dono da faculdade onde estudo, que consiste em realização de trabalhos voluntários em comunidades carentes, realizados por universitários e professores. Este ano aconteceu pela 1ª Belo Horizonte, nos dias 28 e 29 de agosto, no morro do papagaio.

Foi um final de semana de muito trabalho (braçal), calor, sol (que eu amo, né!?), cansaço e dor. Mas depois de tudo, o que eu, a pessoa premiada com a maior preguiça e com um dos maiores egoísmos sentimentais do mundo, tenho a dizer é: TROQUE UM FINAL DE SEMANA DE BALADA POR UM DE TRABALHO VOLUNTÁRIO!

domingo, 20 de setembro de 2009

a sexta a noite trouxe a felicidade de ver que os amigos mais antigos sabem que ainda podem me chamar apenas de 'bela'.

domingo, 23 de agosto de 2009

Comptine d'Un Autre Été

Eu não queira que você estivesse aqui, e nem queria estar aí também.

Eu queria que estivessemos em outro lugar, em outro ano, outra década talvez, com outros nomes, em outra cidade, em outra estação.

Queria ser Louise, e que você fosse Pierre. Queria que fosse verão em Londres ou em Paris e que estivéssemos num pequeno apartamento cor de luz de abajour, onde as portas e janelas fossem de madeira e vidro antigos e as cortinas não seguissem um padrão. Onde não houvesse lustres, mas o aquecedor funcionasse bem. Queria uma antiga banheira branca com os pés dourados, e inúmeros e confortáveis travesseiros de pena de ganso espalhados pela cama.
Queria estar de pé olhando a madrugada passar pela janela, vestida com uma de suas blusas e segurando uma caneca de uma bebida quente qualquer. Queria que você acordasse e passasse um longo tempo me observando e tentando compreender como um dia não quis que eu fosse sua. Até que você quebraria o silêncio com um "temos chá?". E como se já soubesse que você estava ali deitado a me observar, me viraria num sorriso e colocaria de volta no lugar, uma mecha de cabelo caída no rosto. Andaria até a cozinha e pisaria descalça no azuleijo antigo recitando em voz alta "Soneto de fidelidade", de Vinícius de Moraes. Faria um chá de canela e chocolate. E enquanto a água esquentava e eu colocava sobre a pia de pedra, duas velhas xícaras de porcelana, me supreenderia com você me abrançando por trás e dizendo no meu ouvido "mas que seja eterno enquanto dure". Uma música noir qualquer começaria a tocar e eu me viraria para te beijar pensando no quanto você sempre odiou poesia.

A trilha sonora da história: Comptine d'Un Autre Été.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Isabella Rossellini


"Porque ela se parece com a Isabella Rossellini.
E eu? Eu pareço apenas eu..."


Ela é tão perfeita que eu nem sei por onde começar.
Ela é inteligente e linda.
Ela fala vários idiomas e faz um curso bacana, ela anda por aí com seu carro legal, com as roupas de seu namorado e com o cabelo que ela mesma corta.
Ela tem fotos em preto e branco e parece mais velha quando necessário.
Se expressa como ninguém em pouquíssimas palavras.
É segura o bastante pra não se sentir obrigada a rir de piadas sem graça.
Faz uma cara de seriedade muito melhor do que a minha e não acha que precisa pintar as unhas toda semana.
Ela não liga pro corpo, e mesmo assim ele não tem nenhum defeito.
Conhece os cantores e os autores e fica perfeita mesmo quando veste as roupas que parecem ter saído do armário de sua vó.
Sua maquiagem não sai depois uma noite inteira dançando. Talvez ela nem use maquiagem.
Ela sabe ser simpática o suficiente para que você a adore, mas não o bastante para que se torne seu amigo.
Ela não morre de amores por ninguém, mas há sempre alguém morrendo de amores por ela.
Ela desperta uma vontade súbita de lançar um elogio, seja pela sua bolsa, seja pelo seu perfume, seja pela sua voz.
Ela não está nem aí.

E ninguém neste mundo, pelo simples fato de existir, me incomoda tanto.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Senta aqui do meu lado... e toma um café comigo.


"Não gostaria de entrar e tomar uma xícara de café?
Se não for muito incômodo!?
Ai... Claro que não... entre!
Depois da senhora!"


Qual é verdadeiramente o propósito de um convite para um café?